07/04/2010
POR Cecília Santos, Jornal O Estado
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Esta semana tenho coisinhas especiais para falar aqui. Sei que este espaço é usado, na maioria das vezes, para comentar coisas que aparentemente são banalidades ou cotidianices, mas só que hoje não será bem assim. Muitas vezes eu falo de coisas sérias em um tom de cinismo e nem todos entendem o espírito da coisa. Pra não confundir, esta semana quero falar de coisas sérias, em um tom sério.
Sou jornalista cultural aqui no Toca muito antes de ser editora de cultura do Jornal o Estado. Acompanho há anos as agitações culturais e manifestações artísticas assinadas por um grupo particular de pessoas, aquelas ligadas ao movimento rock. Movimento este que não é, nunca foi e ainda está longe de ser aquilo que eu acredito.
Não quero e não vou limitar aqui a simplesmente criticar vaziamente esta ou aquela banda. Não, este texto não se destina a isso. Lamentável a critica é praqueles que acreditam estarem fazendo parte do movimento rock nesse estado, praqueles que acreditam que estão criando ou contribuindo com alguma coisa. Porque, adivinhem? Ir a shows não é suficiente. Nem mesmo organiza-los ou produzi-los.
Minha grande luta na cena rock’n’roll de Palmas, porque sim, ela existe, por mais incorreta que seja, não é torcer para que surjam bandas que toquem aquilo que eu gosto de ouvir. Não é só trabalhar duro para divulgar em todos os meios de comunicação e todas as formas possíveis que posso o que rola por aqui. Nas viagens que faço, nas conversas que tenho com gente de fora, nos jornais em que trabalho e nas redes sociais que escrevo. Venho fazendo isso há anos. Não. Minha luta é tentar fazer com quem faz parte dessa cena perceba que ela só vai dar certo se o esforço for conjunto, se o trabalho for em equipe.
No dia da festa de lançamento do Sétimo Tendencies Rock Festival, choveu. Choveu muito e o resultado foi que nem mesmo as bandas escaladas para tocar no evento estavam lá pra prestigiar os grupos que se apresentaram no lançamento. Perderam o show histórico da melhor banda tocantinense na atualidade (e por muito tempo ainda, acreditem) a Boddah Diciro. Perderam um dos mais racionais e coesos discursos que já ouvi. E olha que o Beto, autor do discurso e guitarrista da Boddah tava muito bêbado-pissed-off, porque o Tendencies alem de vazio, tava cheio de cadeirinhas pra público ficar sentado.
Sendo assim é importante ressaltar que o Tendencies, não é bar e a Boddah não toca MPB! É ROCK, sacou? Não é o tipo de música pra você ouvir sentado, conversando, parado. É pra ouvir surtando, de preferência. O discurso pró-rock de um Beto de saco cheio merece todo o meu aval e respeito. Rock tem que ser assim.
E me perdoem aqueles que se sentiram ofendidos, os que não estavam lá, ou os que foram e não entenderam a critica. Porque sim, foi para vocês. Sem desvios. Vistam a carapuça.
Anyway, Murphy já dizia que “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e do modo que cause o maior dano possível”. Pois então. Fundação Cultural do Estado é a prova disso. Artistas tocantinenses, vem aí nosso inferno astral, nosso período Murphy na vida. Preparem-se. Ah, obrigado Gaguim por este presente.
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